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Estresse em crianças e adolescentes: como identificar e procurar ajuda?

Saúde Emocional

Estresse em crianças e adolescentes: como identificar e procurar ajuda?

Não é de hoje que ouvimos falar sobre o estresse em crianças e adolescentes e suas consequências. No entanto, nem sempre há uma distinção clara sobre o que, de fato, o caracteriza como prejudicial.

Muitas das sensações que experimentamos ao longo da vida são inerentes à natureza humana e fazem parte de um processo natural de sobrevivência.

O estresse, em situações arriscadas, por exemplo, é uma ótima ferramenta interna para deixar o corpo em alerta. Contudo, em alguns casos, ele pode ser prejudicial ao desenvolvimento cognitivo. A questão é: como os pais e cuidadores podem identificar as distinções entre ambas condições?

No intuito de auxiliar aos pais e responsáveis por crianças e adolescentes, preparamos este artigo para explicar quais são as diferenças entre os níveis de estresse, como notar sua toxicidade e qual é o momento de buscar ajuda profissional. Continue a leitura!

O que é estresse?

O estresse é uma reação do organismo desencadeada diante de situações adversas. Ou seja, frente a determinados estímulos — visuais, auditivos, cognitivos — pode ocorrer uma resposta do corpo indicando que aquela situação é estressora.

Assim como acontece com outros mecanismos humanos, o estresse, por si só, não é necessariamente ruim. Ele gera reflexos importantes na estrutura cognitiva e é capaz de enviar sinais de atenção para todo o corpo.

Em geral, em uma situação de resposta ao estresse, o coração dispara e todo o organismo fica em alerta, como consequência da ação da adrenalina. Esse hormônio é responsável por preparar o corpo para situações de fuga, luta e perigos.

Portanto, quando por algum motivo, nosso cérebro entende que está em uma dessas circunstâncias, ele aciona as reações específicas para o estresse. Em casos de necessidade, esse sistema é fundamental, pois nos prepara para ações rápidas.

Mas, como saber quando essas respostas são adequadas e quando podem trazer prejuízos? Segundo o Guide to Toxic Stress, do Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, podemos considerar três níveis de estresse:

        Estresse positivo: quando situações adversas, porém pouco perigosas, surgem e o corpo reage ao novo estímulo (antes de realizar uma coleta de sangue, por exemplo);

        Estresse tolerável: a relevância do fator estressor está um grau acima e gera uma resposta um pouco mais intensa. Se for por um período curto e houver amparo no ambiente — seja pelos cuidadores ou por outras pessoas — pode ser tolerado sem dificuldades;

        Estresse tóxico: nesses casos, a exposição aos fatores estressantes é prolongada, não há suporte do ambiente e os eventos costumam ser bastante críticos (por exemplo, a convivência com a fome).

Como identificar o estresse em crianças e adolescentes?

A divisão explicativa, citada acima, é aplicável aos casos de crianças e adolescentes. Isso significa que nem sempre o estresse será tóxico, mesmo para essas duas faixas etárias. É importante considerar a complexidade de cada situação para determinar se as reações do corpo podem ser prejudiciais.

Quando os pequenos e os jovens são mantidos em situações estressantes por períodos prolongados, podem ter seu desenvolvimento cognitivo comprometido, de forma permanente.

Portanto, atenção na hora de identificar — o quanto antes — os possíveis sinais de que os fatores estressantes estão causando prejuízos. Veja alguns indicativos:

        Perda ou aumento de peso excessivos;

        Irritação e/ou agressividade elevadas;

        Episódios de tristeza profunda;

        Apatia, caracterizada pela indiferença diante das situações e embotamento das emoções;

        Pouca criatividade para o brincar;

        Pouca capacidade imaginária;

        Dificuldade na aprendizagem;

        Isolamento social ou mesmo familiar;

        Alterações e dificuldades no sono, como a insônia ou terror noturno;

        Perda do controle dos esfíncteres (quando se evacua e urina na roupa ou na cama);

        Envolvimento em situações violentas e de risco;

        Baixa tolerância a frustrações;

        Dificuldade de aplicar a resiliência (adaptabilidade à novas situações, mesmo que indesejadas).

O que pode ocasionar o estresse tóxico nessas faixas etárias?

Existem alguns pontos a serem observados aqui. Em primeiro lugar, é necessário identificar se a criança ou adolescente estão submetidos a algum tipo de adversidade preocupante. Ambientes com condições de higiene, alimentação, segurança e convívio precários são considerados estressantes e tóxicos.

Depois, há de se levar em conta a quais eventos esse público tem acesso. Por exemplo:

        Situações de abuso físico ou psicológico;

        Catástrofes naturais;

        Relações e discussões conturbadas ou violentas;

        Negligência por parte dos cuidadores;

        Casos de doenças na família;

        Intempéries econômicas;

        Acesso sem limites e controle à aparelhos tecnológicos.

Essas circunstâncias, e outras semelhantes, mantidas por períodos prolongados, sem o auxílio dos pais ou responsáveis para ajudar na regulação das emoções e respostas do corpo, podem ocasionar o estresse tóxico.

Quando procurar ajuda?

Sempre que forem observadas situações de risco, como as que apontamos ao longo do texto, é importante redobrar a atenção. O ideal é garantir que elas não aconteçam e, em casos de inviabilidade, que as crianças e adolescentes tenham respaldo para conseguir lidar com o estresse resultante.

Contudo, quando já não for possível evitar essas circunstâncias e os sinais já forem perceptíveis, é a hora de buscar por auxílio profissional. Nos casos em que, mesmo tentando, os pais e cuidadores não souberem como amparar seus filhos, também devem contar com apoio.

Como uma série de fatores atravessam a situação de estresse, diversos profissionais podem ajudar. Desde pediatras e psicólogos, até assistentes sociais e educadores.

Em alguns casos, essa reação pode vir acompanhada de outras condições de saúde, tanto físicas como mentais. Os transtornos depressivos e ansiosos, além da obesidade, são associações constantes. Dentro de cada caso, caberá optar pelos auxílios que forem mais adequados.

Quais são os tratamentos possíveis?

Como o corpo funciona de maneira conectada, todos os aspectos do organismo devem ser verificados. No âmbito da saúde física, pediatras, clínicos, nutricionistas e outros especialistas podem trabalhar na regulação dos hormônios, na alimentação e no sono. Os protocolos para tratamento podem ser medicamentosos ou não.

Já a psicoterapia é capaz de proporcionar o desenvolvimento de habilidades essenciais, como a resiliência, para lidar com os fatores estressantes e também fornece subsídio aos pais e cuidadores para que consigam ajudar seus filhos.

Para os aspectos psicossociais, psicólogos, assistentes sociais e educadores formam uma rede de apoio importante para a erradicação do estresse tóxico em crianças e adolescentes, ao buscar soluções que proporcionem ambientes minimamente adequados ao crescimento saudável.

O desafio de lidar com o estresse tóxico nas primeiras etapas da vida é de responsabilidade coletiva. Nesse aspecto, a sociedade pode colaborar com a missão, proporcionando condições mais adequadas ao pleno desenvolvimento infanto-juvenil.

Contudo, o primeiro suporte — e o que apresenta máxima relevância nessas situações — é dos pais e cuidadores. Por isso, é importante que os responsáveis estejam sempre atentos a todos os detalhes citados, a fim de garantir o máximo de qualidade de vida às crianças e adolescentes.

Conteúdo revisado pela equipe de Medicina Preventiva da Unimed Campinas.

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